quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Carnaval junkie



 Eu não me lembro bem o dia, acho que um sábado, era um carnaval. Carnaval é uma coisa muito doida, vejo como o dia sem lei, onde esta liberado ser quem você quer ser o ano inteiro, que ninguém vai te recriminar por isso. Pra sociedade é uma válvula de escape, onde o gay pode ser gay de verdade, a gostosa andar pelada no meio de todo mundo e assumir a vadia que sempre foi, você pode se embriagar, fazer sexo, afinal, é carnaval.
 Não recrimino o carnaval, não recrimino nada alem da recriminação. As pessoas matam suas vontades estranhas nesse dia, é um barato se sentir visto e chocar a sociedade se embebedando fazendo suas vontades, pena que as pessoas  acham que tem só um dia no ano pra poder fazer o que realmente quer e no resto do ano se veste com pele de cordeiro fazendo coisas que não quer, pura hipocrisia. Não tem nada de errado em ser o que você  realmente é, a não ser que isso reprima a liberdade do próximo, cada um com seu cada qual.
Acho que no mesmo dia eu tinha ido tirar umas fotos com minha banda, não me lembro bem se foi no mesmo dia, sei que no dia seguinte eu e todos meus amigos íamos pra praia, mais como todo junkie eu não pude esperar pra me divertir, a diversão é um sentimento incrível, as vezes até trocamos o amor por diversão, mais nos arrependemos. O melhor é unir amor e diversão.
Depois de tirarmos as fotos na paulista, ficamos sabendo que tinha um trio elétrico que ia descer a augusta, então não voltamos pra casa, fomos direto pro bar, compramos umas cervejas, cigarros e umas pingas, estávamos guardando grana para praia, não dava pra beber muito no bar, então compramos uma vodka vagabunda com uns sucos de pozinho e h2o, sempre bebemos essa droga, isso fica ruim que nem o diabo, mais todo mundo fala que ta bom sempre, a loucura é realmente o que importa quando se fala de beber. Porque pelo gosto, cheiro e cor, eu não tomava aquilo nunca.
Mais amigos chegando, mais pessoas na augusta, e logo aquilo estava o verdadeiro inferno, luz pra todo lado, som infernal, eu amo aquele lugar, é um tipo de carnaval eterno, pessoas que tem coragem de ser o que é realmente sem preocupação com o que estão achando, putas, drogados, gays, punks, emos, e alguns otários também, isso sempre tem.
 Eu estava na frente do vitrine, mais doido que um cachorro, com uma garrafa de pitu que achamos no chão encostada no poste, meus amigos suados, bêbados, estávamos bem vestidos até, fumando um cigarro, mais meu cabelo estava uma merda, eu lembro que tinha pintado minhas costeletas de vermelho, fiquei parecendo uma galinha preta de macumba, aquilo estava feio demais, mesmo assim eu fiquei com uma garota linda. Eu não tenho muito papo, tenho amigos com muita lábia, mais eu ganhos as mulheres sendo eu mesmo, me dou bem assim, sendo divertido, verdadeiro.
O trio elétrico chegou, tocando aquelas marchinhas estranhas, tudo é divertido no carnaval, as putas estavam pra fora esperando os clientes, com aquelas roupas, que só por deus, como não sentem frio? Alguns emos com todos os tipos de cabelos, e roupas coloridas, alguns punks jogando sinuca, tinha uns travestis também, e todos seguiram o trio elétrico, bebendo e comemorando a liberdade de ser quem se quer ser.
A musica não era boa, era uma merda na verdade, mais eu estava bêbado demais, podia tocar qualquer coisa. Ficamos enchendo o saco do motorista do trio elétrico pra podermos subir nele, só subia mina gata, depois tentamos entrar em uma balada falando que era da banda que ia tocar, mais nada dava certo,  estávamos caindo. Eu entrei em um hotel com um dos meus amigos, quando nos separamos perdidos do resto da turma, falei:
Hey, eu marquei hora aqui com o Roger.
A atendente falou:
Roger? Qual o quarto?
Eu: Sim do ultraje, 45, eu espero ele aqui no sofá com meu amigo
Eu não sei como achei que aquilo podia dar certo, a atendente logo notou que só queríamos descansar no sofá um pouco, chamou a policia e saímos antes de qualquer confusão. Estava muito divertido aquele dia, um dia muito doido, amigos, pessoas felizes na rua se divertindo, e eu só queria beber mais.
Um ambulante daqueles que carrega um carrinho de mão com um isopor  dentro tombou bem do meu lado, foi cerveja e vinho pra todo lado, aquilo tava bom demais pra ser verdade, virou uma coisa de doido, eu logo fui garantir o meu vinho, afinal eu não tinha dinheiro algum, mais infelizmente quando pisei disfarçadamente em uma garrafa, um POLICIAL  MILITAR encostou  o cano de seu 38 no meu peito e mandou eu soltar a garrafa de volta no isopor.
Eu achei quilo estranho, no mínimo, a policia geralmente não liga para ambulantes, eu achei legal da parte do policial, eu estava roubando um trabalhador que estava só tentando ganhar seu dinheiro garantindo a diversão dos outros, mais serio mesmo, eu não tinha grana, e sabe como é? É carnaval, e eu queria mesmo beber mais.  Hahahahaha.
Já deu, vamos sair fora, já são 6 da manha, e daqui a pouco vamos pegar a estrada pra praia, que loucura. Pegamos o metro, ninguém estava de carro, e pra falar a verdade particularmente amo esses lugares, como metro, rodoviária, terminal, aeroporto, eu fico observando e estudando as pessoas e seus costumes malucos, e eu devo ser mais maluco que elas, afinal, olha bem o que eu fico fazendo, observando pessoas no metro, e olha os lugares que amo.
La estava eu trançando as pernas e rindo de um monte de besteira com meus amigos, saindo junto com o sol da estação Ana rosa, uma noite muito divertida, na paz. Mais eu não contava com  meu destino, que sempre me surpreende.
Passou duas garotas, e eu estava com 3 amigos. Planejando como seriam os dias na praia, então gritei: vamos pra praia todo mundo. em direção as garotas. Eu não falei com a intenção de mexer com elas, eram feias e tinham cara de chatas alem disso.
Foi ai que me chegou 2 caras, eu achei estranho, não tínhamos feito nada mesmo, mais não liguei muito, eu não ligo de ter que sair na porrada por ai, acho justo, eu sei me defender, e você tem o direito de querer atacar. O problema é o motivo.
Ai mano, e essa camisa de veado que você ta vestindo??
Foi logo a primeira pergunta que me fizeram, e o pior eles estavam só em dois, eu sempre briguei minha vida inteira, mais ninguém sai intimando 4 caras estando em dois, eu sabia que ali tinha coisa errada.
Você saber ler? Sabe o que esta escrito aqui o babaca?
Foi minha gentil resposta, eu estava com uma camisa escrito Barbie is a bitch, acho que esse animal achou que a tradução era, eu amo a Barbie ou coisa do tipo. Esta tudo bem em não saber a tradução, mais e se fosse também? Love is Barbie, qual seria o problema? vou fazer uma camisa assim um dia, vou me divertir com isso.
Aqui é skin o filho da puta, vamos tirar um x1 eu e você.
Ele teve a coragem de me falar uma merda dessa, eu não acreditei, era a oportunidade maravilhosa de arrebentar a cara de um careca.
Skin você? De toca da okley?
X1? Você quer treta ou quer jogar RPG otário?
Foi minha resposta, seguida de um soco no olho direito do infeliz, eu bati feito um maluco nele, estava arrebentando, mais do nada, ele me deu uns chutes na cara, ele devia fazer algum tipo de luta, não se chuta a cara de alguém sem elasticidade. Eu não agüentava mais, ele estava cheirado e eu bêbado, então surgiu maluco de todo lado, eu sabia que aquilo estava armado, ele não ia arrumar briga com 4 caras que nunca viu, estando em dois, skin é covarde, não ia ficar um contra o outro.
Plaaaaakkk.... foi o barulho do skate no meu ombro, eu estava de costas, na hora achei que era uma pedra, um paralelepípedo, coisa assim, foi um peso infernal, eu cai no chão  e quando tentei levantar vi que tinha fodido meu braço todo, cheio de  sangue e doendo demais.
Eu tinha levado uma skaitada no ombro esquerdo bem em cima das minhas cartas, que na época eram só elas, o cara podia ter acertado minha cabeça, eu podia ter morrido por culpa da Barbie. O skate bateu tão forte que o cara não segurou, então caiu no chão, um dos meus amigos pegou e jogou em cima de um carro que passava na rua, pra tentar parar o carro, fazer tumulto e acabar com a briga, antes q alguém morresse ali.
Eu levantei e sai correndo com meus amigos, para o lado oposto de onde foi jogado o skate, aquilo foi uma idéia genial, você pensa muito rápido em perigo, atrás de nós uns quinze otários, eu fiquei pra trás, meu braço doía muito, achei que tinha quebrado algum osso, mais era bem no ombro. Quando já estavam me alcançando, a porta de um prédio abril pra alguém sair, e eu pulei q nem um gato pra dentro do prédio e fechei a porta.
Skin filho da puta, ta feliz o babaca? Ta com seus amigos ai? Espera os meus ai na frente.
Falei isso, mais não tinha amigo nenhum meu a caminho, eles ficaram esperando eu sair, e tentando entrar, até que o porteiro pediu pra eu sair, eu falei pra ele que só podia estar brincando, eu ia morrer lá fora, então ele chamou a policia.
Os “skins” saíram fora, e eu logo sai do prédio e fui até o prédio certo, onde já estavam os meus amigos, todos sangrando, um mais fodido que o outro, só de um olhar pro outro já rimos, o fato engraçado é que ninguém estava realmente preocupado, foi divertido, eu tinha sentado a mão na cara de um skin e saímos vivos.
O irmão de um dos meus amigos o Otavio, logo veio ver o que estava acontecendo, quando viu o irmão dele arrebentado ficou maluco, então volta o primeiro cara, o que eu sai na mão, ates de todos entrarem, passando na rua, o Otavio falou, é ele?? É ele ali?? E gritou
O seu filho da puta, agora você vai apanhar.
O Otavio luta, faz academia, e foi confiante, mais ele não contava com aqueles chutes na cara, logo de primeira ele levou um chute na costela e fez um barulho muito engraçado, um tipo de huuuuuuuuuuuuuuulllllllllllll......
Foi quando a policia chegou, depois de mais de uma hora, e foi aquilo de sempre, mão na cabeça, RG, marginal, e bla bla bla. Subimos pra casa, ninguém foi preso, ninguém foi nem para delegacia, mesmo aquilo sendo uma tentativa de homicídio seguido de  preconceito vindo de um nazi de merda.

Antes de dormir, subimos e tomamos umas cervejas, eu limpei meu ombro e tirei essa foto dele, e rimos muito, mais rimos um do outro, de estarmos todos acabados, Não achamos graça nenhuma em saber que ainda tem a solta nas ruas um bando de nazis com o cérebro de uma galinha, um bando de retraídos, que por não assumirem o que são querem cortar a brisa de quem se diverte sendo o que quer ser.
Um tipo de pessoa assim nada mais é que um garotinho mimado que  não quer que ninguém brinque, ele tem raiva de ver diversão e liberdade, porque ele não se diverte, não é livre, é retraído. Eu tenho nojo, eu tenho raiva, um tipo de pessoa assim, não merece nem minha revolta. Não merecem nada.

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