segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Segunda Feira

Acordar, não importa como foi o dia anterior, mais você vai ter que acordar, o problema fica maior ainda quando é segunda feira, acordar segunda feira é realmente complicado, mais mesmo assim, com aquela vontade de ficar na cama enrolado na coberta, levantamos e vamos para a nossa “vida”.
Ao banheiro, é uma das melhores sensações do mundo, você se sente tão bem quando esta no banheiro de sua casa, é um dos únicos momentos de privacidade, nessa hora você não troca o tapete em forma de U, quente que esquenta o seu pé, por nada no mundo, somente pela pressa de ir trabalhar.
Então abre a geladeira com vontade de encontrar qualquer coisa, menos o que já esta dentro dela, pode ter o que for, mais você não quer comer, são 7 da manhã porra, não da tempo pra você, você coloca o cinto mexendo o suco e escovando os dentes, o suco fica amargo, o sinto ao contrario e assim vai.
Eu sai de casa correndo, ainda arrumando o cinto, e peguei o ônibus, ai que você se lembra que não passou desodorante e mal saiu de casa e já esta fedendo, as pessoas estão com a cara amarrotada, que nem zumbis,e você só queria ficar na cama.
Sem mais graças, eu estava esperando o fretado da empresa, como quem vai pra forca, fumando meu ultimo cigarro, é começo de mês e eu já não tenho mais grana, enquanto isso olhei pra cima e vi uma daquelas propagandas, que só faltam colocar uma arma na sua cabeça pra você olhar.
Era uma propaganda azul da TIM, com aqueles carecas azuis, em que falava a seguinte frase:  Você Sem Fronteiras, eu mesmo ri de mim, porque eu estava ali, sem poder escolher se queria estar na praia ou esperando aquele inferno de ônibus. Vou comprar um TIM, assim não tenho fronteiras.
Trabalhei o dia inteiro, foi realmente uma segunda feira típica, as pessoas não queriam estar onde estão na segunda feira, e eu então, só queria sumir dali. A hora só passa quando você suplica pra ela parar, sempre é assim.
 Eu assumo que meu trabalho não é complicado, e eu não me esforço, trabalho sentado, no ar condicionado, de frente para o computador, uso um sistema que foi feito para enganar as pessoas mais humildes e de bom coração, eu sou uma espécie de cachorro desse sistema, eu corro atrás do cliente indefeso e mordo, mordo, e se ele deixar eu arranco o braço  as pernas, e ainda como a cabeça.
Eu não gosto disso, ta na cara, mais eu não estudei muito, não corri atrás de oportunidades, a culpa é metade minha, e a outra metade dessa culpa, é do sistema em que vivemos, das escolas principalmente.
Sim, das escolas, o ensino é falho, porque veja bem, um menino (a) retraído com problemas de obesidade e falar em publico, na escola  é o exemplo entre os alunos, os professores falam, você deveria ser como ele, ele tira 10, ele não fala, ele não mata aula pra sair com os amigos, ele não faz nada. Ele é um vegetal, um alienado, um coitado do sistema, uma cobra criada pra ser um otário, só mais um CPF, nada mais.
Já o menino (a) que não para quieto, que sabe se comunicar, toca violão, é dinâmico, tem muitos amigos, gosta de experimentar desafios e coisas novas, é tratado como o marginal, o errado, o exemplo de como não podemos ser. Porque para o sistema, você não pode ser esperto, o sistema quer você vendado, criticando as coisas que nunca experimentou.
Deu a hora de eu ir pra minha casa, ai você faz todo o caminho que fez de manhã, só que voltando a fita, o ruim é que quando chegamos em casa damos play na fita novamente, e começa tudo denovo.
Quando eu cheguei no terminal, ah o terminal, eu ainda vou escrever aqui somente sobe o terminal, é o lugar mais junkie que eu já fui na minha vida, e pode saber que eu já fui em muitos, eu estava esperando o ônibus, ai vi um senhor, devia ter uns 60 anos, de cabelos brancos, com o rosto de quem trabalhou a vida toda no sol, camisa social branca, meia amarelada do tempo e suada, com calça social azul marinho, que já esta mais pra azul claro, sapatos gastos, e pelos brancos no peito.
 Tinha um carro, gol branco, estacionado  sem ninguém dentro, e o velho tinha bolinhas de palhaço, aquelas usadas no sinal pra ganhar uns trocos, eram 4 bolinhas, verde, vermelha, amarela e azul, ele estava na frente do carro, que nem um menino de 15 anos jogando as bolinhas p alto com a maior habilidade, ele falava sozinho enquanto jogava as bolinhas, olhando pro carro.
Era um velho maluco, o motivo dele ser maluco não importa, ele derrubou as bolinhas, e todos estavam olhando  pra ele, pelo fato dele ser maluco e estar jogando as bolinhas na frente de um  carro que não tinha ninguém.
Mais eu não vi só isso, eu vi um velho são, um velho que não estava fazendo mal a ninguém, e vi um bando de louco olhando pra ele com nojo, como se fosse um monstro. Eles corriam pra um lado e pro outro, olhando no relógio, comendo que nem ratos pra dar tempo de chegar em casa e ver na TV um retrato de uma vida que nunca vão ter, pessoas levando uma vida nojenta e julgando um homem de mais de 60 anos que só estava ali se divertindo feito uma criança de 15 anos.
Um jovem foi até o velho, e entregou as bolinhas que tinham caído no chão, ai de dentro do ônibus eu vi, que não era só eu que via aquele senhor como alguém que se deva respeito. Aquele jovem viu que ele só estava em paz, sem prejudicar ninguém, sem se preocupar se era segunda feira.
Agora ao resto, são apenas ratos.

2 comentários:

  1. a única parte boa de segunda-feira é que ela é o dia mais distante da outra segunda, fato.
    tá muuuuuuuuuuuuito bom o blog preto, parabens =)

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  2. Não vou comentar tudo o que tu escreveu pq senão vou fazer meu post. rs
    Mas concordo com tudo que tu disse por alto.

    E a pior coisa que a pessoa pode fazer em casa ou qualquer outro lugar é assistir TV. Pq essa porcaria de caixa ridicula derrete o cerebro.Seja figuramente ou não, foda-se.. Só da pessoa não ver essa merda já se torna alguém melhor, acredite. (Y)

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